Google aceita pagar US$ 68 milhões após acusações de escuta indevida do Assistente Virtual

Google aceita pagar US$ 68 milhões após acusações de escuta indevida do Assistente Virtual
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Google fecha acordo milionário após acusações de que o Assistente gravou conversas sem autorização de usuários.

O Google concordou em pagar US$ 68 milhões para encerrar um processo coletivo nos Estados Unidos que acusava a empresa de gravar conversas de usuários sem consentimento por meio do Google Assistente. O acordo envolve milhões de dispositivos, incluindo smartphones Android, alto-falantes inteligentes e outros aparelhos conectados, e reacende o debate sobre privacidade e segurança de dados na era da inteligência artificial.

A ação judicial foi movida na Califórnia e alegava que o assistente de voz do Google teria sido ativado de forma indevida em diversas situações, captando áudios sem que os usuários dissessem comandos como “Ok Google” ou “Hey Google”. Essas gravações, segundo os autores do processo, poderiam ter sido armazenadas e utilizadas para fins internos, incluindo análise de comportamento e publicidade direcionada.

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Como funcionavam as chamadas “ativações falsas”

No centro da controvérsia estão as chamadas ativações falsas, quando o sistema interpreta sons, palavras parecidas ou até ruídos do ambiente como comandos válidos. Nessas situações, o assistente passa a gravar áudio automaticamente, mesmo sem intenção do usuário.

Especialistas explicam que esse tipo de falha é comum em sistemas de reconhecimento de voz baseados em inteligência artificial, mas se torna um problema grave quando envolve coleta de dados sensíveis sem aviso claro ou autorização explícita.

Usuários relataram que essas gravações aconteceram em momentos privados, como conversas dentro de casa, reuniões ou ambientes de trabalho, o que reforçou as acusações de violação de privacidade.

Detalhes do acordo judicial

O valor de US$ 68 milhões será destinado a um fundo para indenizar usuários afetados, além de cobrir custos legais do processo. Poderão solicitar compensação pessoas que utilizaram dispositivos compatíveis com o Google Assistente a partir de 2016 e que tenham sido impactadas por essas ativações indevidas.

O valor individual a ser recebido ainda não foi definido e dependerá do número de solicitações aprovadas. Estimativas indicam que os pagamentos podem variar conforme o tipo de dispositivo e o período de uso.

O acordo ainda precisa ser aprovado por uma juíza federal, mas, se confirmado, encerrará oficialmente a ação judicial.

Google nega espionagem, mas opta por acordo

Apesar de aceitar o pagamento, o Google nega ter cometido espionagem ou violado leis de privacidade. A empresa afirma que o Google Assistente foi projetado para funcionar apenas após comandos específicos e que as gravações são usadas para melhorar o desempenho do sistema.

Mesmo assim, a companhia optou por fechar o acordo para evitar um processo longo, caro e com potencial impacto negativo em sua imagem, especialmente em um momento em que grandes empresas de tecnologia estão sob forte escrutínio regulatório.

Casos semelhantes no setor de tecnologia

O episódio não é isolado. Outras gigantes do setor já enfrentaram acusações semelhantes. A Apple, por exemplo, fechou recentemente um acordo milionário após denúncias envolvendo gravações indevidas feitas pela assistente Siri.

Esses casos mostram que, à medida que assistentes virtuais se tornam mais avançados e presentes no dia a dia, cresce também a preocupação com transparência e controle do usuário sobre seus dados.

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Para usuários de Android e dispositivos conectados ao ecossistema Google, o caso serve como alerta. Especialistas recomendam revisar com frequência as configurações de privacidade, especialmente opções relacionadas a histórico de voz, gravações e permissões de aplicativos.

Também é possível desativar a escuta contínua do assistente ou limitar o armazenamento de áudios, reduzindo riscos de coleta indevida. Embora isso possa afetar algumas funcionalidades, aumenta o controle sobre informações pessoais.

Privacidade em tempos de IA

O avanço da inteligência artificial trouxe praticidade, mas também desafios. Assistentes virtuais dependem de grandes volumes de dados para funcionar corretamente, o que exige equilíbrio entre inovação e respeito à privacidade.

O acordo envolvendo o Google reforça a tendência de maior responsabilização das empresas de tecnologia e pode influenciar futuras regras sobre uso de dados, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.

A decisão final sobre o acordo deve ocorrer nos próximos meses. Caso seja aprovado, os usuários elegíveis poderão se cadastrar para receber a indenização. Independentemente do desfecho, o caso já entra para a lista de episódios que marcaram a discussão sobre segurança digital, IA e direitos do consumidor.

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