Sagitário A*: como o XRISM encontrou indícios de uma erupção antiga

Estudo da nuvem G0.11-0.11 favorece a hipótese de um eco de raios X de Sagitário A*. Entenda a evidência e os limites da reconstrução.

Imagem de Sagitário A* divulgada pelo EHT em 2022; não é um registro da erupção histórica descrita.
Imagem de Sagitário A* divulgada pelo EHT em 2022; não é um registro da erupção histórica descrita. Foto: EHT Collaboration / ESO / Wikimedia Commons. CC BY 4.0. Versão de tamanho reduzido, sem outras alterações.

Um estudo com o observatório de raios X XRISM encontrou evidências de que uma nuvem próxima ao centro da Via Láctea reflete uma emissão antiga de Sagitário A*. O resultado ajuda a reconstruir a atividade passada do buraco negro, em vez de registrar uma explosão acontecendo agora.

O trabalho de Stephen DiKerby e colaboradores foi submetido em 5 de janeiro de 2026, com indicação de aceite na revista The Astrophysical Journal Letters. A Universidade Estadual de Michigan divulgou os resultados em 14 de janeiro.

A nuvem funciona como um registro indireto

A equipe examinou a nuvem molecular G0.11-0.11. Seu brilho poderia ser explicado por reflexão de raios X ou por ionização causada por raios cósmicos. Distinguir essas possibilidades é essencial antes de atribuir o sinal a um episódio do buraco negro.

O instrumento Resolve separou duas linhas de emissão do ferro, em aproximadamente 6,404 e 6,391 keV. A ausência de linhas secundárias esperadas no cenário de ionização por prótons ou íons desfavoreceu essa explicação para a nuvem analisada.

O que significa “cerca de 200 anos”

No modelo de reflexão preferido pelos autores, se a fonte que iluminou a nuvem foi Sagitário A*, o sinal corresponde a uma emissão de aproximadamente 200 anos atrás. A condição faz parte da conclusão científica e não deve desaparecer na manchete.

O comunicado da universidade situa o episódio num passado de algumas centenas a mil anos e explica como nuvens em diferentes posições podem ajudar a reconstruir essa história. Isso não é uma observação direta do instante da erupção.

Como ler a descoberta sem exagerar

Há três etapas distintas: medir as linhas, comparar explicações e inferir a origem e a época do sinal. A evidência favorece uma reconstrução, mas não permite acrescentar automaticamente efeitos sobre formação de estrelas ou prever uma nova erupção.

Revisado em 5 de novembro de 2026: identificados estudo, nuvem e pesquisadores; esclarecidos o caráter indireto da medição e as condições da estimativa temporal. Retiradas consequências galácticas que o texto anterior apresentava sem demonstração.