Buraco negro no centro da Via Láctea teve erupção histórica, dizem cientistas
Estudo revela que o buraco negro Sagitário A* passou por uma intensa erupção no passado, oferecendo novas pistas sobre a evolução galáctica.
Uma equipe internacional de astrônomos encontrou evidências de que o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia — Sagitário A* — passou por uma erupção energética muito mais intensa do que se imaginava até então. Essa descoberta, resultado de observações recentes com telescópios espaciais modernos, ajuda os cientistas a entender melhor o passado e a dinâmica desse gigante invisível.
O que os pesquisadores encontraram
Sagitário A* é um buraco negro com massa equivalente a cerca de 4 milhões de vezes a do Sol, localizado no centro da Via Láctea, a aproximadamente 27 mil anos-luz da Terra. Apesar de sua enorme massa, ele é considerado “quieto” em comparação com buracos negros ativos em outras galáxias — ou seja, não emite grandes quantidades de radiação de forma constante.
No entanto, novos estudos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters apontam que há alguns séculos Sagitário A passou por um período de intensa atividade*, gerando uma explosão energética capaz de fazê-lo brilhar milhares de vezes mais do que atualmente em raios X.
Esses sinais de atividade não foram observados diretamente no momento em que ocorreram, mas sim reconstruídos por meio de “ecos de luz” refletidos em nuvens de gás próximas ao buraco negro. Assim como um som pode refletir em superfícies e chegar depois aos nossos ouvidos, a radiação emitida naquela época foi refletida pelo gás e agora alcança nossos instrumentos como um registro tardio dessa erupção.
Como a detecção foi feita
A tecnologia por trás dessa descoberta foi o telescópio espacial XRISM, um observatório de raios X desenvolvido em colaboração entre a NASA, a ESA (Agência Espacial Europeia) e a JAXA (agência espacial japonesa). Os instrumentos de alta sensibilidade do XRISM permitiram identificar detalhes nos raios X refletidos que antes estavam ocultos — algo impossível com observações anteriores.
Essas medidas sofisticadas dão aos cientistas uma espécie de “máquina do tempo”, capaz de reconstruir o que aconteceu no coração da Via Láctea há muito tempo. Em outras palavras, estamos vendo agora as consequências de um evento que aconteceu no passado distante, mas que foi registrado pelas nuvens de gás como um eco luminoso.

Por que isso é importante
Descobertas desse tipo são raras e valiosas porque buracos negros não emitem luz por si só — eles só ficam visíveis quando materiais como gás e poeira caem em sua direção e aquecem intensamente antes de desaparecerem no interior do horizonte de eventos.
No caso de Sagitário A*, essa erupção antiga sugere que o buraco negro pode ter tido momentos de atividade muito maior no passado, com impacto significativo sobre o ambiente em torno dele. Esses episódios violentos podem influenciar, por exemplo:
- a formação de estrelas na região central da galáxia;
- o aquecimento de grandes nuvens de gás;
- a dinâmica e evolução da própria Via Láctea.
Buracos negros supermassivos como Sagitário A* são peças centrais na compreensão de como galáxias se formam e evoluem ao longo de bilhões de anos. Mesmo quando parecem “calmos” aos nossos instrumentos, eles podem ter histórias dramáticas por trás de seu comportamento atual.
Essa descoberta indica que o silêncio de hoje pode esconder um passado explosivo, e que a nossa galáxia guarda muitos capítulos ainda a serem desvendados — sobretudo com a ajuda de telescópios cada vez mais sensíveis e missões científicas ambiciosas.

